sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

As dificuldades e desafios encontrados para a preservação digital

“A maior parte das tecnologias, das metodologias que foram desenvolvidas para a tecnologia digital, aliás, para as tecnologias de uma forma geral [...] foram desenvolvidas em países ricos. Países [...] que estão na Europa, no sul dos Estados Unidos. Países, geralmente, que estão em clima temperado, ou seja, frio e seco. Nós temos no Brasil um clima totalmente diferenciado. Nós estamos em um país tropical e subtropical, de clima quente e úmido. Ou seja, nós importamos tecnologia que foi desenvolvida para um clima totalmente diferente da gente e aplicamos essa tecnologia sem a devida reflexão. [...] Uma das coisas que a preservação digital em modo físico tem feito é estudar esses novos ambientes para que eles possam gerar metodologias, tratamentos, que sejam aplicáveis a nossa realidade tropical. [...] Será que a gente preserva corretamente um CD-ROM da mesma forma, no Brasil, do que se preserva na Europa? [...] Lógico que não. [...] Nós temos, na verdade, um grande clima de cultura para fungos, bactérias, para agentes biodegradadores. Nós não temos políticas de preservação no que diz respeito ao manuseio desses materiais nem ao fabrico de certos materiais que são utilizados para o suporte dessa tecnologia. [...]

Além disso, a gente tem outras preocupações que são mais do ponto de vista político especificamente. Como o Estado vê a ação de preservar? O que é que tem que ser preservado e como é que tem que ser preservado. Nós temos uma coisa que vai muito bem, que é a segurança da informação. [...] Que dado tem que ser preservado em função de sigilo, não em função de memória? Então a pesquisa, de modo geral, ela se situa nesses campos onde os problemas são mais evidentes”.

Entrevista com Marcos Galindo Lima, professor do Departamento de Ciência da Informação da UFPE e doutor em Línguas e Cultura da América Latina pela Universidade de Leiden, na Holanda.



Link da entrevista completa em https://www.youtube.com/watch?v=WITR9AaNVtA. Acesso em 16 de janeiro de 2013, às 13:20. 

Para saber mais sobre o entrevistado, acessar: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&id=K4780167T3. Acesso em 16 de janeiro de 2013, às 13:33



De acordo com Tomaz e Soares (2004). Somam-se a esses problemas fundamentais da preservação digital, outras dificuldades de ordem técnica, política, econômica e social, dentre as quais destacamos:  

* risco de agravamento do problema da exclusão social (p.ex., INTO..., 1997);

* dificuldade de definição de estratégias e custos associados às atividades de preservação digital (p.ex. CONWAY, 1996, TASK FORCE ON THE ARCHIVING OF DIGITAL INFORMATION, 1996; HEDSTROM, 1997/1998; ROTHENBERG, 1999);

* agravamento do impacto ambiental com o fenômeno do “lixo eletrônico” (p.ex., ENTULHO..., 2000);

* falta de preparo de gestores de acervos e especialistas de preservação nas questões ligadas ao ambiente da tecnologia da informação (p.ex. ROUSSEAU & COUTURE, 1998);

* mercado altamente competitivo da tecnologia da informação levando a ciclos de renovação de tecnologia a cada 3 a 5 anos (p.ex. HEDSTROM, 1997/1998; BRAND, 1999);

* falta de linguagem própria nas diversas áreas do conhecimento para descrever os novos relacionamentos e tipos de documentos (p.ex. BELLOTTO, 1991; JARDIM, 1992);

* dificuldade para estabelecer as fronteiras dos documentos de natureza multimídia e hipertextual em redes distribuídas de longa distância (p.ex., INTO..., 1997);

* no contexto digital a distinção entre documento original e cópia  não é clara (p.ex. DURANTI, 2002);

* aumento da facilidade de uso e oferta de recursos da tecnologia da informação, acompanhado de aumento equivalente da complexidade e dependência tecnológica dos objetos digitais subjacentes (p.ex. INGWERSEN, 1995; TASK FORCE ON THE ARCHIVING OF DIGITAL INFORMATION, 1996);

* aumento exponencial da capacidade de armazenamento, acompanhado de redução equivalente da expectativa de vida dos meios de armazenamento (p.ex., CONWAY, 1996,);

* abandono de fontes de informação digital quando as instituições deixam ou perdem o interesse pelos negócios (p.ex. TASK FORCE ON THE ARCHIVING OF DIGITAL INFORMATION, 1996; LUSENET, 2002,);

* a tecnologia digital reformula antigos papéis e traz novos atores para o sistema sócio-econômico da informação (p.ex., CONWAY, 1996; TASK FORCE ON THE ARCHIVING OF DIGITAL INFORMATION, 1996; HEDSTROM, 1997/1998);

* ausência de produtos de prateleira que considerem os requisitos de preservação por longo prazo (p.ex., BULLOCK, 1999);

* os atuais direitos de propriedade intelectual/copyright podem interferir na capacidade de preservar objetos digitais através de cópia sistemática (p.ex., BULLOCK, 1999);

* ênfase na geração e/ou aquisição de material digital numa era de redução de recursos, ao invés de manter a preservação e o acesso aos acervos eletrônicos existentes (p.ex., BULLOCK, 1999).



“Durante algum tempo acreditava-se (por ignorância, interesses ou negligência) que a documentação digital estaria livre de problemas tradicionais relacionados ao acondicionamento, degradação do suporte, obsolescência, falta de confiabilidade e espaço de armazenamento, porém o tempo nos ensinou que a tecnologia por si só não soluciona todos esses problemas, pelo contrário, inclui novos problemas, os quais dependem diretamente da interferência humana e de políticas de preservação digital para serem solucionados.” (Innarelli, 2011, p. 4)




“Temos muito mais a discutir sobre documento digital antes de chegarmos a qualquer fórmula ou resultado, porém, é assustador imaginar que enquanto discutimos, muitos documentos foram e estão sendo perdidos” Innarelli (2003)

Referências:

INNARELLI, H.C. Preservação digital: a influência da gestão dos documentos digitais na preservação da informação e da cultura. Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação,Campinas, v.8, n. 2, p. 75, jan./jun. 2011.



Innarelli, H. C., Sollero, P. Reliability and durability of CD-ROM and CD-R medias: its fragility related to digital preservation. In: 7th World Multiconference on Systemics, Cybernetics and Informatics. Orlando: IIIS, 2003.



THOMAZ, Kátia. P; Soares, Antônio José. A preservação digital e o modelo de referência Open Archival Information System (OAIS). DataGamazero – Revista de Ciência da Informação – v.5 n. 1 fev/04. Disponível em: http://www.dgz.org.br/fev04/Art_01.htm Acesso em 15 de janeiro, às 15:23.


Comentário

Inúmeras estratégias foram criadas para sanar os problemas da preservação digital, mas é preciso ter consenso na sua aplicabilidade, pois há uma grande defasagem  de estudos científicos comprobatórios e uma política de preservação que envolva todos os produtos e criações característicos da web e integrado a outros sistemas internacionais.

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Garantir meios de acesso à informação digital às futuras gerações, salvar nossa memória em meio digital.  



Para Duranti (2002) este momento trás novos desafios e renova a profissão, "quando percebi que os documentos digitais se tornaram uma realidade, achei que fosse o final da profissão do Arquivista..., mas o que percebi foi que ao invés de perder espaço, o a profissão do Arquivista foi valorizada e ganhou um novo ´status". 



Mediante essas problemáticas, A carta para a Preservação do Patrimônio Arquivístico Digital, publicada pela CTDE/CONARQ e UNESCO em 2004 , expressa algumas considerações a respeito dos documentos digitais, e a emergência dos profissionais da ciência da informação estarem atualizados de acordo com os avanços tecnológicos. Tais medidas garantem ao documento arquivístico sua credibilidade, uma vez que estes registram informações culturais, históricas, científicas, técnicas, econômicas e administrativas.



“Considerando que este patrimônio arquivístico digital se encontra em perigo de desaparecimento e de falta de confiabilidade, e que sua preservação em benefício das gerações atuais e futuras é uma preocupação urgente no mundo inteiro.”



“Entretanto, como a informação em formato digital é extremamente suscetível à degradação física e à obsolescência tecnológica – de hardware, software e formatos –,essas novas facilidades trazem conseqüências e desafios importantes para assegurar sua integridade e acessibilidade. A preservação dos documentos arquivísticos digitais requer ações arquivísticas, a serem incorporadas em todo o seu ciclo de vida, antes mesmo de terem sido criados, incluindo as etapas de planejamento e concepção de sistemas eletrônicos, a fim de que não haja perda nem adulteração dos registros. Somente desta forma se garantirá que esses documentos permaneçam disponíveis, recuperáveis e compreensíveis pelo tempo que se fizer necessário.”


Obsolescência das mídias

Obsolescência dos softwares/suportes. http://www.marilia.unesp.br/Home/Instituicao/Docentes/EdbertoFerneda/ged-10.pdf. Acesso em 16 de janeiro de 2013, às 16:22.

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